O cerrado parece, injustamente, não ter o glamour de uma floresta amazônica ou de uma mata atlântica. Mesmo cobrindo ~21% do território nacional (2 milhões de km²) e hospedando frondosa diversidade, foi deixado oficialmente de lado. Só depois da criação de Brasília resolveram reparar no bioma que “dá a liga” para os outros biomas brasileiros.

Não tardou para corrigirem a acidez e o alto teor de alumínio do solo e dar início à devastação. Aparentemente, ainda resta metade (não duvido que seja menos). Os 14% que cobriam o estado de São Paulo viraram 0,84%. E as previsões não são nada boas. O cerrado já emite os mesmos níveis de CO2 que a amazônia decorrentes da pulverização de 21 km² por ano. Além de 70% de suas áreas consideradas como de extrema importância biológica estão em áreas ideais para o cultivo de cana (estudo).

O cerrado guarda as fontes de água-doce do país. Acabar com a vegetação vai comprometer o que daqui a 15-20 anos vai valer mais que ouro (e o que o Brasil tem em abundância), água. Dinheiro e futuro sendo jogados fora. A diversidade é fonte inesgotável de conhecimento, lazer e cultura. Os organismos com potencial para trazer inovação científica e desenvolvimento estão sendo cobertos por monoculturas. Ah sim, a energia do Brasil vem da água. Veja mais alguns dados aqui (inglês).

adaptado de Daniel Lobo

adaptado de Daniel Lobo

Por mais que o progresso seja bom para todos (que é outra discussão), o que está acontecendo com o cerrado é inconsequente e inaceitável. Espero que a nova legislação do estado de são paulo proteja o pouco que resta por aqui (sou otimista) e que a PEC do cerrado (115/95), que transforma o cerrado em patrimônio nacional, seja aprovada (por que a demora?).

Enquanto isso continuaremos a agonizante contagem regressiva para o fim do cerrado, ilustrada a cada 11 de setembro.