A evolução da remistura
Artigos com o marcador ciclo de vida
A síndrome de shmoo
06/12/09
Shmoos, quando fritos, têm gosto de frango. Eles produzem leite e botam ovos, mas não se alimentam, apenas respiram. Parecem um pino de boliche gorducho com pernas, tem pele branca e macia, sobrancelhas e alguns bigodes. Eles não tem esqueleto e se reproduzem assexuadamente. Eles também são afáveis com seres humanos, mas isso não vem ao caso. Ah, sim, eles não existem1.
Larvas são estágios especializados do ciclo de vida de muitos organismos. Podem se reproduzir assexuadamente, mas por definição não se envolvem sexuadamente. O período larval pode ser curto ou durar mais que a forma adulta. Normalmente habitam um ambiente diferente dos adultos, às vezes radicalmente diferente. Larvas podem ter um corpo sofisticado com estruturas especializadas para caçar, coletar alimento e/ou se locomover.
As consequências de um ciclo de vida indireto seriam óbvias, se não fossem surpreendentes. Adultos e larvas podem evoluir de maneira independente2. Não que uma larva se “destaque” da forma adulta e passe a viver por si própria (apesar de ser uma discussão interessante). O que quero dizer é que as larvas podem mudar sua forma ao longo do tempo sem que isso cause qualquer alteração no adulto, e vice-versa3. Ou seja, você pode encontrar espécies distantes (evolutivamente) cujas larvas são semelhantes e também encontrar espécies irmãs cujas larvas são bem diferentes uma da outra. Dois ouriços australianos passaram por esta última experiência e causaram um furorzinho 4 milhões de anos depois, quando biólogos descobriram o evento.
- Apesar de já terem sido confundidos com OVNIs. ↩
- Eventualmente vou discutir a origem das formas larvais. ↩
- lembrando que larva e adulto de um mesmo indivíduo são um contínuo no ciclo de vida e, portanto, possuem a mesma sequência genômica ↩
Um pouco de irreverência
21/07/09
Boa parte dos invertebrados marinhos possui pelo menos 1 estágio larval no seu ciclo de vida, sendo comum que os adultos vivam no fundo (bentônicos) e as larvas na coluna d’água (planctônicas). Denominada de metamorfose, a transição irreversível da vida larval para a forma adulta envolve drásticas1 mudanças morfológicas e de habitat.
As larvas das bolachas-do-mar podem passar semanas na coluna d’água até estarem prontas para a metamorfose. As correntes marítimas podem levá-las para longe e nada garante que estarão perto de um habitat adequado quando chegar o momento; assentar no local errado pode ser bem perigoso. Mas o que faz com que uma larva decida assentar ali e não acolá? Será que quando pronta2 ela simplesmente sofre a metamorfose onde estiver?

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