A evolução da remistura
Artigos com o marcador equinóides
A síndrome de shmoo
06/12/09
Shmoos, quando fritos, têm gosto de frango. Eles produzem leite e botam ovos, mas não se alimentam, apenas respiram. Parecem um pino de boliche gorducho com pernas, tem pele branca e macia, sobrancelhas e alguns bigodes. Eles não tem esqueleto e se reproduzem assexuadamente. Eles também são afáveis com seres humanos, mas isso não vem ao caso. Ah, sim, eles não existem1.
Larvas são estágios especializados do ciclo de vida de muitos organismos. Podem se reproduzir assexuadamente, mas por definição não se envolvem sexuadamente. O período larval pode ser curto ou durar mais que a forma adulta. Normalmente habitam um ambiente diferente dos adultos, às vezes radicalmente diferente. Larvas podem ter um corpo sofisticado com estruturas especializadas para caçar, coletar alimento e/ou se locomover.
As consequências de um ciclo de vida indireto seriam óbvias, se não fossem surpreendentes. Adultos e larvas podem evoluir de maneira independente2. Não que uma larva se “destaque” da forma adulta e passe a viver por si própria (apesar de ser uma discussão interessante). O que quero dizer é que as larvas podem mudar sua forma ao longo do tempo sem que isso cause qualquer alteração no adulto, e vice-versa3. Ou seja, você pode encontrar espécies distantes (evolutivamente) cujas larvas são semelhantes e também encontrar espécies irmãs cujas larvas são bem diferentes uma da outra. Dois ouriços australianos passaram por esta última experiência e causaram um furorzinho 4 milhões de anos depois, quando biólogos descobriram o evento.
- Apesar de já terem sido confundidos com OVNIs. ↩
- Eventualmente vou discutir a origem das formas larvais. ↩
- lembrando que larva e adulto de um mesmo indivíduo são um contínuo no ciclo de vida e, portanto, possuem a mesma sequência genômica ↩
Ouriços-do-mar em 3D
21/08/09
O Museu de História Natural de Londres hospeda uma ótima referência sobre a morfologia, taxonomia e classificação de equinóides (ouriços- e bolachas-do-mar). O site chama-se Echinoid Directory e é mantido pelo Andrew Smith do Departamento de Paleontologia do museu. Se você já quis olhar de perto aquele espinho de ouriço-do-mar fincado no seu pé ou se já se perguntou onde fica seu ânus (do ouriço), lá é “o” lugar pra olhar.
Sua curiosidade, porém, pode ir além, já que desde o ano passado estão disponíveis uma série de imagens da estrutura interna destes animais. Estas são fruto de um estudo1 que digitalizou exemplares de 13 grupos de ouriços usando ressonância magnética. A técnica (muito usada na medicina) permite visualizar o interior dos organismos incluindo as partes moles na sua conformação “oficial”.
- Ziegler, A; Faber, C; Mueller, S; Bartolomaeus, T (2008) Systematic comparison and reconstruction of sea urchin (Echinoidea) internal anatomy: a novel approach using magnetic resonance imaging. BMC Biology, 6:33, 10.1186/1741-7007-6-33 acesso aberto ↩
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