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	<title>Cooptando &#187; invertebrados marinhos</title>
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	<description>A evolução da remistura</description>
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		<title>Um pouco de irreverência</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jul 2009 13:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nelas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Embriões, larvas e afins]]></category>
		<category><![CDATA[bolacha-do-mar]]></category>
		<category><![CDATA[ciclo de vida]]></category>
		<category><![CDATA[clypeasteroida]]></category>
		<category><![CDATA[dendraster excentricus]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[invertebrados marinhos]]></category>

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Boa parte dos invertebrados marinhos possui pelo menos 1 estágio larval no seu ciclo de vida, sendo comum que os adultos vivam no fundo (bentônicos) e as larvas na coluna d&#8217;água (planctônicas). Denominada de metamorfose, a transição irreversível da vida larval para a forma adulta envolve drásticas1 mudanças morfológicas e de habitat. As larvas das]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<span class="Z3988" title="ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Adc&amp;rfr_id=info%3Asid%2Focoins.info%3Agenerator&amp;rft.type=&amp;rft.format=text&amp;rft.title=Um pouco de irreverência&amp;rft.source=Cooptando&amp;rft.date=2009-07-21&amp;rft.identifier=http://cooptando.org/2009/07/21/um-pouco-de-irreverencia/&amp;rft.language=English&amp;rft.aulast=Vellutini&amp;rft.aufirst=Bruno&amp;rft.subject=Embriões, larvas e afins"></span>
<p>Boa parte dos invertebrados marinhos possui pelo menos 1 estágio larval no seu ciclo de vida, sendo comum que os adultos vivam no fundo (bentônicos) e as larvas na coluna d&#8217;água (planctônicas). Denominada de metamorfose, a transição irreversível da vida larval para a forma adulta envolve drásticas<sup class='footnote'><a href='#fn-5-1' id='fnref-5-1'>1</a></sup> mudanças morfológicas e de habitat.</p>
<div id="attachment_178" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://cooptando.org/wp-content/uploads/2009/07/ciclo.jpg"><img class="size-medium wp-image-178" title="Esquema simplificado do ciclo de vida da bolacha-do-mar" src="http://cooptando.org/wp-content/uploads/2009/07/ciclo-300x206.jpg" alt="Esquema simplificado (e toscamente desenhado) do ciclo de vida da bolacha-do-mar" width="300" height="206" /></a><p class="wp-caption-text">Esquema simplificado (e toscamente criado) do ciclo de vida da bolacha-do-mar</p></div>
<p>As larvas das bolachas-do-mar podem passar semanas na coluna d&#8217;água até estarem prontas para a metamorfose. As correntes marítimas podem levá-las para longe e nada garante que estarão perto de um habitat adequado quando chegar o momento; assentar no local errado pode ser bem perigoso. Mas o que faz com que uma larva decida assentar ali e não acolá? Será que quando pronta<sup class='footnote'><a href='#fn-5-2' id='fnref-5-2'>2</a></sup> ela simplesmente sofre a metamorfose onde estiver?</p>
<p><span id="more-5"></span></p>
<p>Em 1982, Raymond Highsmith descobriu que um composto secretado por bolachas-do-mar adultas pode induzir a metamorfose em larvas competentes<sup class='footnote'><a href='#fn-5-3' id='fnref-5-3'>3</a></sup>. Na prática, larvas competentes que estiverem passando por uma população de adultos serão induzidas a assentar ali.</p>
<p>Durante seu experimentos, Highsmith observou que alguns jovens recém metamorfoseados tinham sumido do aquário e resolveu investigar. Ele fez uma triagem na areia e identificou os potenciais organismos predadores responsáveis pelo sumiço das bolachinhas-do-mar. A espécie culpada foi encontrada: <em>Leptochelia dubia</em>, um pequeno crustáceo da ordem <a title="Tanaidacea" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tanaidacea">Tanaidacea</a>.</p>
<div id="attachment_179" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://cooptando.org/wp-content/uploads/2009/07/Tanaisus.jpg"><img class="size-medium wp-image-179 " title="Tanaisus lilljeborgi" src="http://cooptando.org/wp-content/uploads/2009/07/Tanaisus-300x67.jpg" alt="Tanaídeo da Bélgica. Foto por Hans Hillewaert." width="300" height="67" /></a><p class="wp-caption-text">Tanaídeo da Bélgica. Foto por Hans Hillewaert.</p></div>
<p>As fêmeas de <em>L. dubia</em> constroem pequenos tubos de areia de onde capturavam as jovens bolachas-do-mar menores que 1,5 mm que passassem por perto. Highsmith descobriu também que sedimentos do habitat de uma população adulta de bolachas-do-mar contém uma densidade muito menor destes crustáceos, quando comparado à sedimentos de regiões próximas sem bolachas. No laboratório, ao colocar bolachas adultas num aquário a densidade destes crustáceos diminuiu significativamente. Esta diminuição deve-se à constante movimentação da areia pelas bolachas-do-mar que perturbam ou mesmo destroem os tubos dos tanaídeos.</p>
<p>A partir de suas observações Highsmith sugeriu que áreas com adultos, além de serem atrativas para larvas competentes devido à substância indutora de metamorfose, também são relativamente mais seguras para o assentamento, já que a densidade de tanaídeos é menor.</p>
<p>O que isso tudo tem a ver com irreverência, afinal? Toda essa história foi resumida em uma figura do artigo:</p>
<p><a href="http://cooptando.org/wp-content/uploads/2009/07/highsmith1982.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-181" title="Highsmith 1982" src="http://cooptando.org/wp-content/uploads/2009/07/highsmith1982-300x296.png" alt="Highsmith 1982" width="300" height="296" /></a></p>
<p>Posso ter ficado meio louco depois de trabalhar 3 anos com bolachas-do-mar, mas dei muita risada quando me deparei com essa figura enquanto escrevia a dissertação. Impagável ver numa publicação uma bolacha-do-mar adulta bípede<sup class='footnote'><a href='#fn-5-4' id='fnref-5-4'>4</a></sup> dando um chute <span style="text-decoration: line-through;">na bunda</span> no télson de um crustáceo predador, enquanto as minibolachinhas <a title="Humpty Dumpty" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Humpty_Dumpty">humpty dumpty</a>, também bípedes, assentam na área protegida pelos adultos. Notar também o olhar psicopata e enfurecido dos crustáceos no tanque da direita que, além de não poderem pegar as bolachinhas apetitosas ao lado, nada podem fazer para ajudar seus companheiros despejados pelas bolachas grandalhonas. Tem até um esperneiando!</p>
<h3>Referência</h3>
<p><strong>Induced Settlement and Metamorphosis of Sand Dollar (<em>Dendraster Excentricus</em>) Larvae in Predator-Free sites: Adult Sand Dollar Beds</strong><br />
Raymond C. Highsmith<br />
<em>Ecology, Vol. 63, No. 2. (Apr., 1982), pp. 329-337.</em><br />
© Ecological Society of America<br />
<a title="Induced Settlement and Metamorphosis of Sand Dollar (Dendraster Excentricus) Larvae in Predator-Free sites: Adult Sand Dollar Beds" href="http://www.esajournals.org/doi/abs/10.2307/1938950">www.esajournals.org/doi/abs/10.2307/1938950</a> (acesso restrito)</p>
<div class='footnotes'>
<div class='footnotedivider'></div>
<ol>
<li id='fn-5-1'>A drasticidade da metamorfose depende do organismo, ela também pode ser discreta. <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-5-1'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-5-2'>Aqui prontidão no sentido de estar com todas as estuturas precursoras da vida adulta desenvolvidas. <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-5-2'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-5-3'>Hoje sabe-se que muitos outros organismos sofrem metamorfose ao serem expostos a substâncias específicas. <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-5-3'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-5-4'>Elas tem milhões de &#8220;pés&#8221;, mas não pernas. Muito menos joelhos! <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-5-4'>&#8617;</a></span></li>
</ol>
</div>
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