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	<title>Cooptando &#187; shmoo</title>
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	<description>A evolução da remistura</description>
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		<title>A síndrome de shmoo</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Dec 2009 05:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nelas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Embriões, larvas e afins]]></category>
		<category><![CDATA[ciclo de vida]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[echinodermata]]></category>
		<category><![CDATA[equinóides]]></category>
		<category><![CDATA[larvas]]></category>
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		<description><![CDATA[<span class="Z3988" title="ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Adc&amp;rfr_id=info%3Asid%2Focoins.info%3Agenerator&amp;rft.type=&amp;rft.format=text&amp;rft.title=A síndrome de shmoo&amp;rft.source=Cooptando&amp;rft.date=2009-12-06&amp;rft.identifier=http://cooptando.org/2009/12/06/a-sindrome-de-shmoo/&amp;rft.language=English&amp;rft.aulast=Vellutini&amp;rft.aufirst=Bruno&amp;rft.subject=Embriões, larvas e afins"></span>
Shmoos, quando fritos, têm gosto de frango. Eles produzem leite e botam ovos, mas não se alimentam, apenas respiram. Parecem um pino de boliche gorducho com pernas, tem pele branca e macia, sobrancelhas e alguns bigodes. Eles não tem esqueleto e se reproduzem assexuadamente. Eles também são afáveis com seres humanos, mas isso não vem]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<span class="Z3988" title="ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Adc&amp;rfr_id=info%3Asid%2Focoins.info%3Agenerator&amp;rft.type=&amp;rft.format=text&amp;rft.title=A síndrome de shmoo&amp;rft.source=Cooptando&amp;rft.date=2009-12-06&amp;rft.identifier=http://cooptando.org/2009/12/06/a-sindrome-de-shmoo/&amp;rft.language=English&amp;rft.aulast=Vellutini&amp;rft.aufirst=Bruno&amp;rft.subject=Embriões, larvas e afins"></span>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-351" title="shmoo" src="http://cooptando.org/wp-content/uploads/2009/10/shmoo.jpg" alt="shmoo" width="175" height="221" /><strong>Shmoos</strong>, quando fritos, têm gosto de frango. Eles produzem leite e botam ovos, mas não se alimentam, apenas respiram. Parecem um pino de boliche gorducho com pernas, tem pele branca e macia, sobrancelhas e alguns bigodes. Eles não tem esqueleto e se reproduzem assexuadamente. Eles também são afáveis com seres humanos, mas isso não vem ao caso. Ah, sim, eles não existem<sup class='footnote'><a href='#fn-6-1' id='fnref-6-1'>1</a></sup>.</p>
<p><strong>Larvas</strong> são estágios especializados do ciclo de vida de muitos organismos. Podem se reproduzir assexuadamente, mas por definição não se envolvem sexuadamente.  O período larval pode ser curto ou durar mais que a forma adulta. Normalmente habitam um ambiente diferente dos adultos, às vezes radicalmente diferente. Larvas podem ter um corpo sofisticado com estruturas especializadas para caçar, coletar alimento e/ou se locomover.</p>
<p>As consequências de um ciclo de vida indireto seriam óbvias, se não fossem surpreendentes. Adultos e larvas podem evoluir de maneira independente<sup class='footnote'><a href='#fn-6-2' id='fnref-6-2'>2</a></sup>. Não que uma larva se &#8220;destaque&#8221; da forma adulta e passe a viver por si própria (apesar de ser uma discussão interessante). O que quero dizer é que as larvas podem mudar sua forma ao longo do tempo sem que isso cause qualquer alteração no adulto, e vice-versa<sup class='footnote'><a href='#fn-6-3' id='fnref-6-3'>3</a></sup>. Ou seja, você pode encontrar espécies distantes (evolutivamente) cujas larvas são semelhantes e também encontrar espécies irmãs cujas larvas são bem diferentes uma da outra. Dois ouriços australianos passaram por esta última experiência e causaram um <em>furorzinho</em> 4 milhões de anos depois, quando biólogos descobriram o evento.</p>
<p><span id="more-6"></span></p>
<p>Entre as larvas livre-natantes de invertebrados marinhos podemos destacar 2 tipos básicos:</p>
<ol>
<li>Larvas que se alimentam.
<ul>
<li>Nascem de óvulos pequenos liberados em grande quantidade pela mãe.</li>
<li>Passam semanas na coluna d&#8217;água se alimentando até a metamorfose.</li>
</ul>
</li>
<li>Larvas que não se alimentam.
<ul>
<li>Nascem de óvulos grandes (com bastante <a title="Reserva de nutrientes, não o filhote de gado..." href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vitelo">vitelo</a>) liberados em pequena quantidade pela mãe.</li>
<li>Passam poucos dias na coluna d&#8217;água até a metamorfose.</li>
</ul>
</li>
</ol>
<p>Nos <a title="Echinodermata" href="http://eol.org/pages/1926">equinodermos</a>, a evolução de um modo larval para outro ocorreu diversas vezes em linhagens independentes.</p>
<div id="attachment_377" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://cooptando.org/wp-content/uploads/2009/11/Wray1994.jpg"><img class="size-full wp-image-377" title="Wray1994" src="http://cooptando.org/wp-content/uploads/2009/11/Wray1994.jpg" alt="Imagem da esquerda mostra a forma dos equinóides adultos e a forma de suas larvas; ouriços regulares no ramo em vermelho. Na direita vemos 3 evoluções independentes da larva shmoo; ramo vermelho com os ouriços australianos Heliocidaris. (Figs. 2 e 3 de Wray &amp; Bely 1994)" width="640" height="419" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem da esquerda mostra a forma dos equinóides adultos e a forma de suas larvas; ouriços regulares no ramo em vermelho. Na direita vemos 3 evoluções independentes da larva shmoo; ramo vermelho com os ouriços australianos Heliocidaris. (Figs. 2 e 3 de Wray &amp; Bely 1994)</p></div>
<div id="attachment_424" class="wp-caption alignright" style="width: 160px"><a href="http://cooptando.org/wp-content/uploads/2009/11/larvaflux.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-424" title="larvaflux" src="http://cooptando.org/wp-content/uploads/2009/11/larvaflux-150x150.jpg" alt="Larva plúteos e suas microcorrentes que capturam microalgas (por Strathmann 1971)" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Larva plúteos e suas microcorrentes que capturam microalgas (por Strathmann 1971)</p></div>
<p>Enquanto uma larva que se alimenta (<a title="Larva plúteos de bolacha-do-mar" href="http://cooptando.org/wp-content/uploads/2009/11/pluteos.jpg">plúteos</a>, nesse caso) possui um esqueleto interno sustentando longos braços ciliados que criam correntes<sup class='footnote'><a href='#fn-6-4' id='fnref-6-4'>4</a></sup> e capturam microalgas do plâncton, a larva que vive de reservas não tem quase nenhuma estrutura funcional. O curioso é que mesmo tendo aparecido em linhagens diferentes de equinodermos, estas larvas têm a mesma cara. Cara de pino de boliche gorducho, mas sem pernas e possivelmente sem gosto de frango; cara do ser imaginário criado por Al Capp, o <a title="Shmoo" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Shmoo">shmoo</a>.</p>
<p>A <em>síndrome de shmoo</em> é essa coincidência morfológica que acomete larvas de equinodermos com acúmulo de reservas e sem a capacidade de capturar alimento. Por que e como larvas que surgiram em linhagens separadas por milhões de anos têm a mesma cara? Como teria sido a transição entre estes dois tipos de larva? Como a larva plúteos perdeu suas estruturas? Será que as larvas shmoos de diferentes linhagens se formaram do mesmo modo ou será que processos diferentes podem originar shmoos semelhantes?</p>
<div id="attachment_426" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://cooptando.org/wp-content/uploads/2009/11/raffr_fig3.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-426" title="raffr_fig3" src="http://cooptando.org/wp-content/uploads/2009/11/raffr_fig3-150x150.jpg" alt="Larva shmoo (imagem por Rudolf Raff)" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Larva shmoo (imagem por Rudolf Raff)</p></div>
<p>As diferenças entre larvas não são apenas morfológicas. O ouriço-do-mar <em>H. tuberculata</em> tem uma larva plúteos que pode durar 6 semanas, ou seja, após a fecundação a larva passa um bom tempo nadando e capturando alimento para enfim tornar-se um ouricinho (ver um esquema do ciclo de vida <a title="Exemplo de ciclo de vida" href="http://cooptando.org/2009/07/21/um-pouco-de-irreverencia/">aqui</a>). A situação de <em>H. erythrogramma</em> já é um pouco mais garantida. Como seus óvulos possuem muitas reservas, a larva shmoo se desenvolve rapidamente e em apenas 3 dias o jovem está pronto. Esta diferença no tempo larval deve ter influenciado as relações ecológicas da espécie e talvez seu padrão de distribuição. Teria existido uma condição ecológica que favoreceu a diminuição do período larval ou foi apenas uma conseqüência da formação de óvulos com grandes reservas (que por sua vez pode estar relacionada com sua alimentação)?</p>
<p>Os dois tipos de larvas também apresentam diferenças já no início das divisões celulares, após a fecundação. A inibição de alguma linhagem celular poderia ter causado a perda dos braços e formação de uma massa semi-amorfa que chamamos de shmoos? Foi o aumento do vitelo que desencadeou as mudanças ou houve algum tipo de reprogramação do desenvolvimento?</p>
<p>Deve ter sido mais ou menos isso que os biólogos se perguntaram ao descobrir ouriços-do-mar praticamente idênticos com larvas tão diferentes. <img src='http://cooptando.org/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Esta é só uma pequena incursão no fabuloso mundo das larvas&#8230; Cabe lembrar que boa parte destas perguntas ainda estão em aberto, mas sendo investigadas ativamente. Para quem quiser se aprofundar no assunto o <a title="Evolução de larvas lecitotróficas" href="http://scienceblogs.com/pharyngula/2007/06/evolution_of_direct_developmen.php">Pharyngula tem um post discutindo o modelo evolutivo</a><sup class='footnote'><a href='#fn-6-5' id='fnref-6-5'>5</a></sup> da transição de uma larva plúteos para uma larva shmoo (em inglês).</p>
<p>Por fim, se alguém não se lembra do shmoo este vídeo pode ajudar (tentarei arrumar um da larva shmoo, pra comparar <img src='http://cooptando.org/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> ):</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/BYT3zezajOM&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/BYT3zezajOM&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<div class='footnotes'>
<div class='footnotedivider'></div>
<ol>
<li id='fn-6-1'>Apesar de já terem sido <a title="Shmoo" href="http://www.ceticismoaberto.com/ufologia/2013/o-que-shmoo">confundidos com OVNIs</a>. <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-6-1'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-6-2'>Eventualmente vou discutir a origem das formas larvais. <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-6-2'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-6-3'>lembrando que larva e adulto de um mesmo indivíduo são um contínuo no ciclo de vida e, portanto, possuem a mesma sequência genômica <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-6-3'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-6-4'>﻿Strathmann R. The feeding behavior of planktotrophic echinoderm larvae: Mechanisms, regulation, and rates of suspension feeding. Journal of Experimental Marine Biology and Ecology. 1971;6(2):109-160. <a title="The feeding behavior of planktotrophic echinoderm larvae: Mechanisms, regulation, and rates of suspension feeding" href="http://dx.doi.org/10.1016/0022-0981(71)90054-2">10.1016/0022-0981(71)90054-2</a> <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-6-4'>&#8617;</a></span></li>
<li id='fn-6-5'>Ele discute estes dois artigos: ﻿1. Wray GA. Parallel Evolution of Nonfeeding Larvae in Echinoids. Systematic Biology. 1996;45(3):308-322. <a title="Parallel Evolution of Nonfeeding Larvae in Echinoids" href="http://dx.doi.org/10.1093/sysbio/45.3.308">10.1093/sysbio/45.3.308</a> ﻿2. Smith MS, Zigler KS, Raff RA. Evolution of direct-developing larvae: selection vs loss. BioEssays. 2007;29(6):566-71. <a title="Evolution of direct-developing larvae: selection vs loss" href="http://dx.doi.org/10.1002/bies.20579">10.1002/bies.20579</a> <span class='footnotereverse'><a href='#fnref-6-5'>&#8617;</a></span></li>
</ol>
</div>
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